HILARIO BRAVO. "HistÓrias dA luz E dA ruÍna"
Lina Cruz-Pinto

NAUFRAGIO. 2002
Acrílico y óleo sobre papel
50 x 70 cm
"Toda a grande obra é uma revelaçâo"
Virgilio Ferreira
Na sua obra, manifestam-se em contínuo e vibrante uníssono, a pintura e a poesia. Poesia, que a par da Filosofia sâo superlativas disciplinas do Conhecimento. Cabería, a propósito desta criaçâo pictórica, citar influentes e assumidos nomes como Pessoa, Eugénio de Andrade, Ramos Rosa, Baudelaire, Borges, Eliot, Hölder1in, Trackl ou Bashö na Poesía e Schopenhauer na Filosofia, assim como, Heiddeger, Bachelard ou Cioran. Um vasto conjunto de personalidades, cujos pensamentos decerto ecoam na mais profunda interdisciplinaridade de Hilario Bravo.
No todo do seu percurso artístico, impera uma gramática poética valorizada por uma subtil elegância gráfica e cromática, ambas acrescidas ao encanto do artista pelas mais variadas qualidades de suporte e onde, simbólicos signos plásticos, sâo aqui envoltos num mistério, numa aura que nos devolve para o primordial esplendor da Ontogénese.
A sua pintura, por onde caminha, perpétuo, o Desenho é uma filosófica reflexâo sobre recorrentes temas: a tragédia da morte, a solidâo da contemporaneidade, a melancolía do passado e a fragmentaçâo do mundo interior, com o seu consequente e perturbante inferno do quotidiano. Aqui, ouve-se em constância, o silêncio - o silêncio do abandono, do irreversível fluir do tempo. É, deste modo, que Hilario Bravo "pintor-poeta" nos responde e nos devolve para uma outra geografla capaz de ascender à serenidade das emoçôes, à esperança do paraíso, à claridade interior.
Neste magnífico universo, fonte de beleza e luz, nos coloca e nos debate este artista maior. Desta difícil essencialidade formal, brota inigualável, um eterno e triunfante espaço de Luz. Dessa luz já anteriormente estudada em Goya e Velázquez, para se tornar numa admirável fonte de fascínio em Zurbarán. Ou, por firn, da luz do conhecimento, da espiritualidade: a luz que haveria de derrubar Saulo de Tarso na cegueira, para depois o transformar e o elevar na clarividência.
É esta clarividência, mesclada de rigoroso labor ético e estético, que Hilario Bravo revela na sua pintura e que, sabiamente, nos falam os seus deslumbrantes hinos à paz.
Para Hilario Bravo con admiraçâo e estima !
Lisboa, março 16-04-03